Quando se questiona qual o grupo alvo abrangido pela intervenção do Projeto Rua, a resposta não é simples. A tendência é para responder que é dos zero aos 18 anos, mas assim estaríamos a colocar de fora as famílias dessas crianças e jovens e também os interventores sociais com os quais partilhamos a nossa experiência e estratégias de intervenção para que melhorem a sua intervenção.

Excluídos ficariam também todos aqueles que nos procuram (estudantes de várias áreas e de diferentes países) para obterem informações sobre o nosso projeto. Com todos eles, privilegiamos o contacto direto e personalizado, pois acreditamos que estamos a contribuir e a “investir” para a formação de futuros (e melhores) profissionais.

No entanto, é importante realçar que o principal grupo alvo são as crianças, adolescentes e jovens. Os restantes grupos são alvo da nossa intervenção, porque acreditamos que é necessário intervir a vários níveis para nos tornarmos mais eficazes na nossa ação.

Assim, focalizando-nos nas crianças, adolescentes e jovens, podemos afirmar que a maioria está exposta a grandes problemáticas como:

  • As piores formas de exploração do trabalho infantil (mendicidade, tráfico de estupefacientes, prostituição infantil);
  • O tráfico de seres humanos (mendicidade forçada e envolvimento em atividades criminosas);
  • O desaparecimento e/ou exploração sexual de crianças e jovens com especial incidência sobre as fugas (casa ou instituições);
  • A pobreza infantil e exclusão social.

Deste modo podemos afirmar que as crianças, adolescentes e jovens acompanhadas pelo Projecto Rua têm menos probabilidades de serem bem-sucedidas na escola, gozar de boa saúde e aproveitar plenamente as suas potencialidades em fases posteriores das suas vidas, uma vez que uma grande parte, apresenta um conjunto de problemáticas específicas derivadas daquelas anteriormente identificadas, que passamos a enumerar:

  • Comportamentos desviantes;
  • Patologias psicológicas;
  • Dificuldades de aprendizagem;
  • Insucesso escolar;
  • Saúde precária;
  • Ausência de valores;
  • Quadros de referência;
  • Baixa autoestima;
  • Intolerância à frustração.

Caracterizam-se, ainda, por dificuldades ao nível da aceitação/cumprimento de regras, por ausência de disciplina na sua vida quotidiana.

Quando chegamos às famílias destas crianças e jovens compreendemos melhor o seu comportamento, pois normalmente são pais que não conseguem cumprir com as suas funções parentais, eles próprios têm défice de motivação e autoestima e onde predomina um ambiente de agressividade nas interações familiares e a falta de comunicação.

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